Rodrigo ZajacEndodontia · CRO-SP 86735

Canal ou extração: o que se perde ao arrancar um dente que pode ser tratado

O que acontece com o osso depois de uma extração, o que os estudos dizem sobre canal e implante e quando extrair é a escolha certa.

Por Dr. Rodrigo Petroni Zajac, CRO-SP 86735 · 02/10/2026

Quando o dente pode ser tratado, o canal mantém a raiz e o osso que a sustenta; a extração inicia uma perda de osso que é mais rápida nos primeiros meses. Canal e implante têm permanência alta nos estudos, e as revisões não apontam um vencedor claro, por isso a decisão depende do seu dente e das suas prioridades.

Quanto tempo dura um dente tratado?

Uma revisão sistemática reuniu os estudos sobre dentes que fizeram canal e encontrou de 86% a 93% deles ainda na boca entre 2 e 10 anos depois. Os fatores ligados a mais anos de dente foram receber coroa após o tratamento, ter dentes vizinhos dos dois lados, não servir de apoio para prótese e não ser molar.

Evidência: consistente. Revisão sistemática (Ng e colaboradores, 2010).

O que muda na boca depois de uma extração?

O osso que envolvia a raiz começa a se remodelar logo após a extração. Em regiões de pré-molares e molares, a largura do osso pode diminuir até pela metade no primeiro ano, e cerca de dois terços dessa perda acontecem nos três primeiros meses. Menos osso pode tornar um implante futuro mais trabalhoso.

Evidência: moderado. Estudo prospectivo de 12 meses (Schropp e colaboradores, 2003), confirmado por revisões posteriores.

Com o tempo, os dentes vizinhos podem se inclinar para o espaço vazio, e o dente de cima ou de baixo pode se movimentar em direção a ele. Isso altera a mordida e dificulta a limpeza.

Evidência: limitado. Observação clínica frequente, com poucos estudos de longo prazo.

Implante é melhor que canal?

As revisões mais recentes não permitem dizer que um seja melhor que o outro. Uma revisão sistemática de 2025 encontrou resultados em direções opostas: alguns estudos mostraram permanência semelhante nos primeiros anos e queda posterior no grupo do canal; outros mostraram menor permanência e mais complicações no grupo do implante. A mesma revisão registrou melhora da qualidade de vida relacionada à saúde bucal depois do tratamento de canal.

Evidência: limitado. Revisão sistemática de estudos observacionais (Sinsareekul e colaboradores, 2025).

Os dois tratamentos falham de formas diferentes. Quando o canal não dá certo, o desfecho mais comum é a extração. Quando o implante tem problemas, costumam ser complicações que pedem novas intervenções. Outra revisão de 2025 concluiu que ambos são opções válidas e que a escolha deve considerar o quadro clínico, as preferências do paciente, o custo, o acesso ao tratamento e as possíveis complicações.

A diretriz europeia de endodontia tem como meta declarada preservar os dentes ao longo da vida. Por isso, quando o dente tem condições de ser tratado e restaurado, manter o dente costuma ser o primeiro caminho discutido.

Quando extrair é a escolha certa?

Extrair é a decisão certa em algumas situações:

  • Fratura vertical da raiz. Quando a raiz racha no sentido do comprimento, o prognóstico costuma ser ruim.
  • Pouca estrutura para restaurar. Se não sobra dente suficiente para sustentar uma restauração, tratar o canal não resolve o problema.
  • Perda avançada do osso em volta do dente, por doença da gengiva.

Evidência: moderado. Posicionamento da Sociedade Europeia de Endodontia sobre trincas e fraturas (Patel e colaboradores, 2025).

<!-- PARA O DR. RODRIGO: em que situações você indica extrair em vez de tratar? Substituir este comentário por um exemplo seu, ou apagá-lo. -->

Quando procurar um endodontista

Se a indicação foi extrair um dente que dói ou tem infecção, vale ouvir um endodontista antes da decisão. O exame clínico, a radiografia e, em alguns casos, a tomografia mostram se a raiz está íntegra e se o dente pode ser restaurado depois.

Fontes

  1. Ng YL, Mann V, Gulabivala K. Tooth survival following non-surgical root canal treatment: a systematic review of the literature. Int Endod J. 2010;43(3):171-189. doi:10.1111/j.1365-2591.2009.01671.x
  2. Schropp L, Wenzel A, Kostopoulos L, Karring T. Bone healing and soft tissue contour changes following single-tooth extraction: a clinical and radiographic 12-month prospective study. Int J Periodontics Restorative Dent. 2003;23(4):313-323. PubMed 12956475
  3. Chappuis V, et al. Clinical relevance of dimensional bone and soft tissue alterations post-extraction in esthetic sites. Periodontol 2000. 2017. doi:10.1111/prd.12167
  4. Sinsareekul C, Saengthong-aram P, Limpuangthip N. Survival, complications, and patient-reported outcomes of endodontically treated teeth versus dental implant-supported prostheses: a systematic review. J Prosthet Dent. 2025;133(3):669-676. doi:10.1016/j.prosdent.2024.02.007
  5. Comparative outcomes of endodontically treated teeth versus dental implant-supported prostheses: a systematic review. Acta Odontol Scand. 2025. Link
  6. Patel S, Teng PH, Liao WC, et al. Position statement on longitudinal cracks and fractures of teeth. Int Endod J. 2025;58(3):379-390. doi:10.1111/iej.14186
  7. Duncan HF, Kirkevang LL, Peters OA, et al. Treatment of pulpal and apical disease: the European Society of Endodontology (ESE) S3-level clinical practice guideline. Int Endod J. 2023;56(Suppl 3):238-295. doi:10.1111/iej.13974

Perguntas frequentes

Arrancar o dente é mais simples do que fazer canal?
No dia, pode parecer. Mas repor o dente depois, com implante, ponte ou prótese removível, envolve etapas próprias e, às vezes, enxerto de osso.
Posso extrair e não colocar nada no lugar?
É possível, mas o osso diminui e os dentes em volta podem se movimentar. Converse sobre as consequências antes de decidir.
Canal ou implante: qual dura mais?
As revisões atuais não mostram um vencedor claro. A escolha depende do estado do dente, da sua saúde e das suas prioridades.
Se o canal não der certo, ainda posso fazer implante?
Na maioria dos casos, sim. Tentar manter o dente não costuma eliminar a opção de implante no futuro.
Retrato do Dr. Rodrigo Petroni Zajac

Escrito e revisado por Dr. Rodrigo Petroni Zajac

Cirurgião-dentista, CRO-SP 86735 · Especialista em Endodontia pela APCD

Habilitado em Ozonioterapia pela Faculdade São Leopoldo Mandic

Publicado e revisado em 2 de outubro de 2026

Conheça o Dr. Rodrigo

Conteúdo informativo. Não substitui a avaliação clínica individual.